Guerreiros de Fato e Gravata, por Mauro Frota

As Artes Marciais são artes de guerra. Ensinam muito sobre táctica e estratégia. Ensinam a ter resiliência, paciência, e a agir apenas no momento certo. Muitos livros têm tentado fazer a ponte entre as lições aprendidas do tatame e a sua aplicabilidade no mundo dos negócios. Esta é a minha modesta contribuição. Olhei pelo canto do olho para o cronómetro. Ainda falta um minuto e meio. Noventa segundos. Três porções de trinta segundos. O suor escorre-me por todo o corpo. Uso as minhas últimas forças para tentar ao máximo resistir ao braço que tenho à volta do pescoço e que me sufoca. Os dedos suados escorregam.  Sinto-me tonto. É agora, penso. Vou desistir. Mas algo dentro de mim impede-me de o fazer. Será orgulho? Talvez não, afinal luto com um homem 20 kg mais pesado e forte do que eu. Se desistir agora, perco de cabeça erguida, penso. E novamente afasto esse pensamento. Vou lutar até ao fim. Vou resistir até não conseguir mais agarrar o seu braço ou perder completamente as forças.  O som do cronómetro dispara bem alto. Os braços saem de volta do meu pescoço. Viro-me e sou recebido com um sorriso largo e generoso. Boa luta, amigo, diz-me ele, bom esforço – e dá-me um apertado abraço, fruto daquela cumplicidade que só é forjada com o suor do tatame. Miyamoto Musashi, o mais conhecido Samurai da sua época e autor do famoso livro sobre sobre estratégia militar “O Livro dos Cinco Anéis”, afirmava constantemente que “só conseguimos lutar da forma como treinamos”. Se o que treinamos é desistir às primeiras contrariedades, às primeiras dificuldades, será...

Liderança 360 num Health Club, por André Henriques

Demasiados gestores de clube não consideram a importância de liderar todos os Stakeholders que influenciam de uma ou outra maneira as suas organizações. De acordo com Daniel Goleman, “Liderança é a capacidade de conseguir fazer as coisas acontecer através dos outros”|1|. Neste sentido, coloca-se a questão: Quem são os “Outros”? No livro “Leadership 360 Degrees”, John C. Maxwell identifica 3 potenciais elementos que qualquer líder tem que saber influenciar de forma a poder liderar a sua organização: (1) o nosso chefe; (2) os nossos colegas; e (3) a nossa equipa. São diversos os casos de insucesso de óptimos gestores de clube que, por não conseguirem influenciar todas as partes, de uma forma ou de outra acabam por ver a sua tarefa muito mais dificultada. Todos nós conhecemos gestores de clube que têm uma extraordinária aceitação por parte da equipa mas depois têm diversos problemas em fazer as coisas acontecer porque têm uma relação deteriorada com o seu chefe. Temos também o exemplo do gestor que consegue ter o apoio do seu chefe direto em todas as suas iniciativas, contudo não consegue ter sucesso pois a sua equipa não o segue, consequência da falta de conexão entre ambas as partes. Há ainda aquele fantástico gestor de clube que é admirado pelo seu chefe e pela sua equipa porém, no momento de ser promovido, nunca é uma opção porque simplesmente os seus colegas gestores de clube percebem-no como alguém a quem não se conseguem associar, quanto mais trabalhar sobre as suas ordens. Em última análise, por mais influentes que sejamos com qualquer uma das partes, a situação desejável considera que possamos...

Cuidar de nós, pensando nos outros

“A consciência limpa serve de travesseiro macio.” (Dalai Lama) Ser uma empresa de responsabilidade social não deve estar relacionado com um específico setor empresarial, à dimensão do negócio que o envolve ou a uma definida localização da empresa. Antes a uma interessada integração na comunidade, com uma ativa cultura de solidariedade, marcando um interventivo posicionamento no mercado local. Se o nosso reconhecimento é conquistado pela qualidade de serviços e produtos junto de quem em nós confiou, também não devemos esquecer de outros, menos favorecidos, que nos rodeiam no nosso labor diário. Neste setor o tema de responsabilidade social não tem sido muito debatido nos múltiplos eventos organizados. Focando liderança, trabalho de equipa e motivação como traves mestras para marcar a diferença, não se tem valorizado para um negócio mais sustentado a cooperação com outras entidades ou organizações que prestam serviços relevantes à comunidade local. Integrados num setor de serviços por excelência são os colaboradores que assumem uma grande relevância na divulgação da cultura do clube junto aos clientes. Quanto mais assumido o relacionamento interpessoal, como base de aglutinar todos os envolvidos no negócio, melhor se perceberá a importância da sua participação em projetos sociais. Para que tal aconteça, o clube deve integrar-se gradualmente na comunidade desejando afirmar-se como uma referência na zona onde desenvolve a sua atividade. Procurando parcerias com a Junta de Freguesia da localidade, empresas fornecedoras de produtos/serviços e contando com o apoio dos profissionais deve projetar o seu Plano Anual de Ação tendo como elemento orientador o Código de Conduta do Voluntário. Através de uma atitude aberta, dentro e fora das instalações, um clube com espírito...

Artes Marciais: o gigante adormecido da Indústria do Fitness

Estávamos em 1993, era eu cinto castanho de Karate, quando um brasileiro magro e com fraca aparência, de seu nome Royce Gracie, enfrenta verdadeiros gigantes pela primeira vez no octógono e, qual David contra Golias, vence o primeiro Ultimate Fighting Championship (UFC).  O mundo das Artes Marciais (AM) nunca mais viria a ser o mesmo. Corri para a banca das revistas atrás de notícias frescas – afinal, nunca nem tinha ouvido falar do tal de Jiu Jitsu Brasileiro, quanto mais sequer imaginar que o lutador mais leve de todos conseguiria vencer o primeiro campeonato que colocou em oposição várias AM diferentes. A influência desse momento ecoa até aos dias de hoje. As AM (algumas, pelo menos) foram forçadas a adaptar-se e desenvolver soluções mais funcionais. A cobertura mediática em torno das AM aumentou – à semelhança do que tinha acontecido décadas antes em torno do fenómeno Bruce Lee. Os ginásios especializados encheram-se de praticantes. Nos EUA o Mercado das AM vale já 3 mil milhões de dólares americanos e estima-se que continue a crescer a um ritmo acelerado até 20191 |1|. Embora noutros países os Ginásios e Health Clubs (GHC) tenham conseguido absorver uma boa fatia deste Mercado, arrisco-me a dizer que em Portugal, as AM ainda aguardam por uma leitura mais atenta por parte de proprietários e gestores. Em relação ao “produto” AM, julgo pertinente distinguir 2 públicos-alvo: os que pretendem praticar uma verdadeira AM, Desporto de Combate ou Sistema de Defesa Pessoal; e aqueles que pretendem uma modalidade de fitness com movimentos de Artes Marciais. São públicos diferentes que precisam de uma abordagem diferenciada. Vamos por partes:...

Gestão de Orçamento em Aulas de Grupo

Face ao aumento das exigências impostas pelo mercado, é factor crucial a boa gestão do orçamento. Controlar custos e optimizar recursos para obter a maior receita possível é o grande desafio de qualquer ginásio. Um controlo de custos eficaz Em relação às aulas de grupo, a colossal tarefa de controlar os custos baseia-se em 3 vértices de uma pirâmide que ganha extrema importância a curto e longo prazo. São estes os pontos a ter em conta para potenciar ao máxima a estrutura de aulas de grupo: 1. Capacidade física instalada. Todos os espaços devem ser considerados pela sua especificidade, a sua característica física, o seu layout, o equipamento existente. Estes factores conjugados e, depois de uma aplicação de alguns rácios pertinentes, encontram uma quantificação aproximada da capacidades máxima instalada. O m2 deve ser rentabilizado, assim como a optimização de todos os equipamentos deve ser considerada, para que seja possível aumentar a receita por m2, evitando assim espaços e equipamentos desperdiçados. 2. Capacidade de recursos humanos instalada. Os profissionais devem ser considerados, no âmbito desta abordagem, em três critérios: Disponibilidade; competência e polivalência. As equipas devem ser constituídas por profissionais com uma elevada disponibilidade, competência e polivalência, para que seja possível terem um elevado desempenho, traduzido em excelentes resultados alcançados e assim diminuir o peso do custo com o pessoal, que nesta área de negócio é significativo. 3. Gestão de horários – Mapas de aulas. Um mapa de aulas equilibrado, adaptado às necessidades dos nossos clientes e com o potencial de aumentar a entrada de novos, é de elevada importância para qualquer ginásio que queira ter resultados positivos de forma...