Impulsione a sua Liderança para o Nível Seguinte, por António Sacavém

Liderar é retirar o melhor de cada pessoa. Trata-se de inspirar cada seguidor a manifestar o seu talento, a ter o desejo de ser um pouco melhor em cada dia que passa e, tudo isto, enquanto se superam os objetivos e se reduz o espaço entre o ponto onde a empresa se encontra hoje e o sonho aspiracional do negócio.

LeaderDefino sonho aspiracional como um objetivo de longo-prazo que desponta o desejo de cada empresa de ter mais, com o propósito de partilhar mais. Neste sentido, o sonho aspiracional é mais do que uma visão empresarial dado que encapsula o circuito virtuoso que vai permitir às pessoas, às equipas e às empresas expandirem o desejo de construírem mais, rumo ao nível seguinte de evolução organizacional. O circuito virtuoso é uma tomada de consciência de que os negócios devem ter a ambição de receber mais da comunidade, para partilhar mais com a comunidade. It’s time do give-back!

Tem vindo a ser sugerido que a visão organizacional funciona como um farol que ajuda os negócios a seguirem numa determinada direção. Além do mais, a visão deve ser repetida vezes sem conta pelo CEO, até que esteja completamente disseminada. Eu diria que o sonho aspiracional também confere um sentido de orientação à empresa mas desperta, além disso, o desejo das pessoas quererem superar as suas limitações e atribuírem um significado habilitador ao trabalho diário que executam, ingredientes indispensáveis para que o circuito virtuoso se mantenha vivo.

Agora a pergunta chave… como é que podemos fazer isto?

Em primeiro lugar vamos observar o processo. A abordagem top-down de disseminar a visão pela organização não é suficiente para ativar o desejo interno de cada um, para superar os resultados e contribuir progressivamente para o alcance do sonho aspiracional. Se os colaboradores não estiverem envolvidos no processo de desenvolvimento do sonho aspiracional, o seu nível de compromisso tende a ser baixo. De acordo com a Gallup – uma organização que serve os líderes a uma escala mundial através da partilha de análises periódicas e robustas acerca das atitudes e comportamentos dos colaboradores e clientes – apenas 13% dos colaboradores estão comprometidos no trabalho. Os líderes podem contribuir para a inversão desta tendência desenvolvendo a sua sensibilidade para tomar o pulso à organização, circulando pela “placa” (local onde o serviço é prestado) o mais possível e procurando estabelecer mais oportunidades de contato direto com os colaboradores. Depois, deve perguntar pelo menos 2 questões a cada pessoa: – Qual é o seu principal talento? Como será o nosso negócio daqui a 15 anos se todos começarmos a manifestar os nossos talentos ainda hoje? De seguida, é crucial integrar todas as respostas de forma a criar um draft do sonho aspiracional. Para concluir, o líder deve promover uma reunião de melhoria com a sua equipa, onde todas as pessoas são convidadas a contribuir para a cristalização do sonho aspiracional da empresa, “cavalgando” sobre o draft já criado.

Em segundo, é crucial que a sonho aspiracional do negócio integre o give-back statement, ou seja, é importante que o sonho aspiracional comunique aquilo que o negócio vai partilhar, numa base regular, para expandir os laços afetivos com a comunidade, para disseminar o “Bem” e manter o circuito virtuoso dinâmico, isto é, receber mais da comunidade, para partilhar mais com a comunidade. Imagine por um minuto que está a gerir uma escola de formação. O sonho aspiracional da escola de formação poderia articular-se da seguinte forma: ser a mais inspiradora comunidade de ensino centrada no aluno do planeta, onde os formandos são guiados no sentido de encapsularem uma versão melhorada deles próprios e onde os docentes são líderes que os servem ativamente neste processo – começando hoje e nos próximos 10 anos, vamos partilhar graciosamente o nosso programa de 2 dias, “Liderança TOPFUTURE”, com mais de 6000 alunos do ensino público, entre o 7º e o 9º ano de escolaridade.

Em terceiro, é crucial que partilhe o sonho aspiracional do negócio de forma eficaz. É expectável que o líder seja capaz de desenvolver uma narrativa absorvente, acompanhada de uma linguagem corporal habilitadora, que facilite o compromisso da equipa e que estimule o drive interno dos colaboradores em prol do sonho aspiracional do negócio. As palavras são muito importantes para o líder comunicar o sonho aspiracional mas a linguagem não-verbal é indispensável para que seja criada uma afiliação afetiva com a narrativa. Os líderes devem, por isso, refinar a sua linguagem verbal e aprenderem o significado dos gestos em diversos contextos.  Os líderes têm que enfrentar um grande desafio… por um lado, eles têm que ajudar as pessoas a compreenderem com profundidade o conteúdo do sonho aspiracional da empresa, através das palavras, mas por outro lado têm que inspirar as pessoas a criarem um vinculo afectivo com esse mesmo sonho, em especial, através da forma como a mensagem é veiculada (linguagem não-verbal). Assim, os líderes são convidados a desenvolver competências de comunicação integrada (verbal + não-verbal + congruência) para conquistarem tanto a cabeça como o coração das pessoas.

Um outro fator chave para o desenvolvimento da liderança é a resiliência. Os líderes devem focar a sua atenção no desenvolvimento da sua própria resiliência e, também, das pessoas da sua equipa. A ciência encontrou ligações positivas entre a resiliência e a superação da adversidade, a perseverança e o desenvolvimento da autoconsciência. Basicamente, a resiliência é a competência que permite aos líderes transformarem os seus medos em poder pessoal e, desta forma, atravessarem os desafios, transformando-se numa versão melhorada de si próprios. Eric Greitens, ex-Navy SEAL, sugere que o líder deve ser capaz de inspirar cada pessoa da sua equipa, a abraçar o desaire e a superar os seus demónios. Para tal, é fundamental que o líder construa à sua volta, na sua empresa, uma cultura de confiança e que dê, acima de tudo, o exemplo. Os líderes dispõem de uma ferramenta excelente para estimular o desenvolvimento da resiliência nas suas equipas… a utilização de questões poderosas, que ajuda os seguidores a orientarem a sua atenção para além de si mesmos, a favor da equipa. Quando os colaboradores  começam a viver o sonho aspiracional da empresa e começam a sentir a existência de algo maior do que os seus próprios problemas, a resiliência expande-se e o circuito virtuoso ganha uma nova vida. Investigação liderada pela Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, descobriu que quando as pessoas aprendem a recuperar mais rapidamente de uma circunstância negativa e detratora estão, de facto, a desenvolver a sua resiliência. Os líderes têm à sua disposição um conjunto vasto de ferramentas de coaching que lhes permitem ajudar os colaboradores a lidarem melhor com o stress e com a frustração.

Por último, os líderes devem inspirar as pessoas da sua equipa a puxarem juntas na direção do sonho aspiracional da empresa. Dave Ramsey partilhou uma história deliciosa no seu livro “Entreladership”. Ele revelou que os cavalos Belgas são dos mais fortes do mundo. Na verdade, cada cavalo desta raça consegue puxar 4500 Kg. Este facto, por si só, já é impressionante, mas se juntarmos dois destes cavalos, lado-a-lado, eles conseguem puxar quase 10000 Kg. No entanto, se os dois cavalos forem treinados a cooperar eles conseguem puxar até 13500 Kg. Este exemplo revela o poder da sinergia e do trabalho em equipa. Talvez um dos maiores desafios que um líder no caminho da excelência enfrenta, é ser capaz de desenvolver a confiança entre os colaboradores e inspirá-los a puxar unidos na mesma direção, numa base diária.

Convido-o a aprofundar o seu conhecimento sobre liderança e gestão de negócio, no sector do health&fitness, na Pós-Graduação de Gestão de Ginásios, powered by Manz:

https://www.youtube.com/watch?v=WIeFXSO_RDw
http://formacao.manz.pt/gestao-ginasios-e-health-clubs.html

 

António Sacavem é advisor da All United Sports, docente universitário, fundador das marcas Microexpressões Faciais ® e Linguagem Corporal ®, Licensed Partner do Center for Body Language International, autor e International Trainer.
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