Entrevista a José Carlos Reis: a carta aberta ao Governo

Entrevista a José Carlos Reis: a carta aberta ao Governo

Depois de em finais de 2020 a Portugal Activo (AGAP) — Associação de Clubes de Fitness e Saúde, ter escrito uma carta aberta ao governo, em Março de 2021, a associação lança uma petição pela defesa da abertura dos ginásios na primeira fase de desconfinamento.

Estas acções pretenderam alertar o Governo para a necessidade de medidas de apoio específicas para o sector, que observa o agravamento contínuo da situação dos clubes de fitness e dos profissionais de exercício físico, estando a situação neste momento muito difícil para todos os que operam e trabalham neste sector.

A carta aberta a António Costa recorda ao primeiro-ministro que o programa do Governo tem o objetivo de colocar Portugal, em 2030, como um dos 15 países europeus com maiores índices de atividade física e enumera algumas medidas fundamentais para esse plano e especificamente para o sector.

- Qual foi o principal objectivo ao escrever esta carta ao governo?
O principal objectivo foi alertar o Governo para a necessidade de medidas de apoio específicas para o nosso Sector.

- Porque achou ser necessário chamar de novo a atenção ao tema?
A situação dos Clubes de Fitness e dos Profissionais de Exercício Físico têm agravado continuamente e a situação neste momento é muito difícil para todos os que operam e trabalham neste Sector.

- Quais as expectativas que tem sobre as suas consequências?
As expectativas infelizmente não são muitas, porque o Governo tem pautado a sua actuação por não querer abrir excepções para nenhum sector, apesar de o já ter feito em situações muito esporádicas com a Cultura, Restauração e Hotelaria.

- Quais as críticas que aponta ao governo?
Principalmente o facto de os fundos de apoio não serem canalizados principalmente para as empresas, serem essencialmente para investimentos em grandes infraestruturas do Estado, a comunicação dos lockdowns e reaberturas não serem realizados com maior previsibilidade e de forma objectiva, como seja número de infectados, internados e internados em UCI e datas de reabertura dos vários sectores da economia sem qualquer base científica.

- Na sua opinião, como o governo explica que os ginásios estejam fechados com as evidências que há sobre a segurança na transmissão do vírus nos ginásios, e sobre os benefícios do exercício físico na saúde?
Esta é uma das situações em que temos sido mais críticos ao Governo. É completamente absurdo e sem qualquer base científica a forma como o Governo tem tratado o Exercício Físico e o Desporto. Somos sem dúvida um sector essencial para a população, principalmente numa situação pandémica como esta, e, somos locais seguros, com uma taxa de transmissibilidade de 0,03%, o que é praticamente insignificante quando comparada com os benefícios que aportamos a todos.

- Se pudesse escolher só uma medida para ser implementada das que assinalou na carta, qual seria?
Há 2 medidas estruturais para o sector: os benefícios em sede de IRS para quem pratica exercício físico em Clubes de Fitness, porque seria a assunção por parte do Governo que somos promotores de saúde e, a baixa do IVA para tornar o sector mais competitivo e podermos ter muitos mais Clubes a operar, aumentando assim, de certeza, a taxa de penetração do Fitness no nosso País e aproximarmo-nos da média europeia. Com estas duas medidas teríamos um País mais activo e saudável.

Segundo um estudo do Eurostat, referente a 2017, apenas 45% dos portugueses, com 16 ou mais anos, praticavam uma atividade física fora das horas de trabalho. Nesta altura Portugal estava colocado no penúltimo lugar, só à frente da Croácia, em que só 36% da população tem uma atividade física.

Portugal, de acordo com a Resolução do Conselho de Ministros n.º 98/2020, referente à Estratégia Portugal 2030, dita o seguinte:

“A promoção da prevenção de doenças e estilos de vida saudáveis possibilita uma atitude preventiva no que diz respeito às questões de saúde, de melhoria do bem-estar e da qualidade de vida das pessoas ao longo do ciclo de vida. Envolve o reforço de estratégias intersetoriais que promovem a saúde, através da minimização de fatores de risco (e. g. tabagismo, obesidade, álcool) ou o incentivo à atividade física, fomentando o desporto e a formação desportiva em todo o ciclo de vida, assim como a alimentação saudável, bem como uma maior aposta na educação em saúde. Contempla, igualmente, a proteção da saúde dos que estão saudáveis, reduzindo a sua exposição a riscos de saúde.”

Em linha com o que foi descrito em cima faz todo o sentido os ginásios, academias e afins estarem inseridos nesta demanda, na busca de um estilo de vida mais saudável e activo.

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