Emigrar: 4 questões que podem ajudar a decidir o melhor para si, por André Henriques

De acordo com Cláudia Pereira, investigadora do ISCTE |1|, a Emigração Portuguesa está envolta em 5 mitos: (1) é fácil emigrar; (2) a maioria dos emigrantes Portugueses é altamente qualificada; (3) só emigra quem não tem emprego; (4) os emigrantes são todos iguais; e (5) Brasil e Angola lideram destinos de emigração.

Em 2013 tornei-me num dos 110 mil Portugueses |2|  que emigraram só nesse ano. Emigrei tendo trabalho no meu país, e não emigrei para o Brasil ou Angola mas sim para os Emirados Árabes Unidos. E sim, confirmo que realmente não é uma decisão nada fácil.

Perante uma situação onde teria que tomar uma das decisões mais importantes da minha vida, e sem nunca ter pensado em fazer esta partilha, criei 4 questões. Não existe nenhum quadro teórico por detrás destas questões, tendo as mesmas surgido por pura questão de necessidade!

1. O que é que eu não estou disposto a abdicar se tiver que emigrar?
Emigrar é abdicar! À partida temos que definir claramente o que é que estamos dispostos a abdicar e o que é “sagrado”. Para uns será a família, os amigos, etc. Na minha situação concreta eu não estaria disposto a abdicar da companhia da minha esposa, isto era o meu “sagrado”, logo se ela não estive disposta a partilhar esta experiência, eu também não viria.

2. Onde é que eu quero estar nos próximos 3-5 anos, e será que a minha situação profissional actual me permite alcançar essa meta?
A questão profissional. Aqui, importa não somente olhar para dentro (empresa onde actualmente estamos), mas também para o mercado nacional. Aconselho a falarem com o maior número de pessoas possível no sentido de enriquecerem a vossa resposta a esta questão. No meu caso tive a felicidade de ter tido várias pessoas (incluindo chefes) a aconselharem-me ao longo do caminho.

3. Em termos monetários qual é a proposta que me fará decidir favoravelmente à possibilidade de emigrar?
Por mais motivados que sejamos quanto à progressão profissional, a questão financeira é parte determinante nesta história. Deverá ser suficientemente ambicioso para querer ganhar uma quantia que compense o sacrifício, contudo realista ao ponto de perceber que se não for o Cristiano Ronaldo, possivelmente não irá estar na sua primeira semana de trabalho a andar de Ferrari e a residir na penthouse do Burj Al Arab|3|.

4. Se emigrar e tudo correr mal, qual é o meu Plano B?
Na minha opinião, a decisão de emigrar não vem com quaisquer garantias de sucesso. Tem que se estar preparado, dentro da incerteza que uma decisão deste nível acarreta. Eu acredito (e este foi o meu último pensamento antes da decisão final) que se no futuro alguma coisa correr mal e eu tiver que começar tudo do zero, terei a capacidade de entender todo este processo como uma aprendizagem, pois na verdade a experiência de ter que tomar uma decisão deste nível e começar a minha vida noutro país e noutra cultura foram das experiências/aprendizagens mais enriquecedoras que já tive.

|1| Dados obtidos numa entrevista ao Económico da autoria da Jornalista Margarida Peixoto (13 Março de 2014).
|2| Dado obtido através do Observatório de Emigração.
|3| Famoso hotel de 7 estrelas no Dubai.

 

André Henriques é General Club Manager na Fitness First Middle East,  licenciado em Gestão do Desporto pela FMH e mestre em Gestão de Recursos Humanos pelo ISCTE Business School, sendo hoje uma das principais referências do sucesso dos portugueses,  além fronteiras, no mercado do fitness.
« Voltar às últimas notícias