Como gerir equipas multiculturais

A grande curiosidade das pessoas desde que trabalho numa das maiores empresas de Fitness Internacionais, é saber qual foi o meu maior desafio enquanto Club General Manager. A minha resposta, sem exceção: trabalhar com pessoas de diversas culturas ou nacionalidades distintas.

Gestão multiculturalDe acordo com Brett et al. (2006) |1| equipas multiculturais várias vezes promovem dilemas de gestão frustrantes, criando obstáculos para uma gestão eficaz que, na maior parte dos casos, são difíceis de reconhecer até haverem danos irremediáveis. Questões como, atitude perante a hierarquia, problemas com pronúncia ou afluência, forma de comunicação (direta ou indireta), sensibilidade quanto ao conflito e religião, tudo tem um impacto crítico quando se está a liderar ou a trabalhar com uma equipa multicultural.

Não tendo qualquer experiência internacional na altura em que comecei a trabalhar no Médio Oriente e tendo que liderar uma equipa de 8 nacionalidades diferentes, divididas por 3 continentes distintos, poderão imaginar o número de erros que cometi. Posso constatar que navegar nesta imensidão multicultural será provavelmente como atravessar um campo de minas.

Muitos são os livros e trabalhos que estudam esta questão, apresentando muitas das vezes soluções baseadas naquilo que os seus autores acreditam ser as características de determinadas culturas, como por exemplo: tratar um americano pelo primeiro nome é um sinal de amizade e algo a ter em conta numa relação empresarial; para um japonês, a utilização do primeiro nome numa primeira reunião é um ato de desrespeito. Sendo que muitas das vezes estas análises poderão ser baseadas em estereótipos anedóticos e como tal carecem de algum cuidado na sua interpretação e aplicação, não tenho qualquer dúvida que diferentes culturas pressupõem diferentes características e particularidades.

Contudo, atualmente, e apesar de reconhecer essas distinções culturais, decidi seguir outro caminho. Os meus erros iniciais ensinaram-me algo que acredito ser verdade e ainda mais importante que o impacto cultural que tem vindo a ser referido: as diferenças entre grupos culturais são sempre menores comparativamente com as diferenças individuais, ou se quisermos, primeiro vem a pessoa e só depois a cultura.

Neste dualidade de Diversidade Individual vs. Diversidade Multicultural, defendo que antes de nos preocuparmos em conhecer a cultura, devemos primeiramente conhecer o indivíduo. Para promovermos este último,  identifico 3 estratégias que normalmente utilizo com as minhas equipas:

1. Briefings individuais: estes são provavelmente a ferramenta mais poderosa que um líder pode utilizar para conhecer a sua equipa. Deverão ser realizados uma vez por semana, não mais do que 30 minutos por sessão, com o objectivo principal de criar uma relação positiva entre o líder e o elemento da equipa.
2. Ferramentas de Diagnóstico de Personalidade: existem ferramentas no mercado que se forem bem utilizadas poderão permitir a criação de um conhecimento extremamente valioso para a empresa e principalmente para o indivíduo. Os meus favoritos são o DISC® |2|  e o Strenghts Finder® |3|.
3. Actividades de Team Building: mais do que criar conhecimento sobre o individuo, esta atividade permite criar sinergias entre os vários elementos multiculturais da equipa. Um simples treino semanal com todos os departamentos de uma equipa, desde a recepção até à equipa de vendas, passando pela equipa de fitness, tem um resultado extraordinário no que respeita à criação de ligações positivas entre toda a equipa, para além de ser uma maneira muito eficaz e divertida de promover o gosto pela atividade física.

|1| Brett, J., Behfar, K. and Kern, M. 2006. Managing Multicultural Teams. Harvard Business School.
|2| https://www.discprofile.com
|3| https://www.gallupstrengthscenter.com

 

André Henriques é General Club Manager na Fitness First Middle East,  licenciado em Gestão do Desporto pela FMH e mestre em Gestão de Recursos Humanos pelo ISCTE Business School, sendo hoje uma das principais referências do sucesso dos portugueses,  além fronteiras, no mercado do fitness.
« Voltar às últimas notícias