Como fazer face ao aumento da concorrência no mercado dos ginásios

O nosso sector nunca teve tanta procura e está a tornar-se numa espécie de ‘pote de mel’, atraindo um forte investimento em serviços que competem com os nossos ginásios. Como garantir a competitividade dos nossos negócios e operações?

increasing_competitionO sector da Saúde e do Fitness é uma das indústrias que mais crescem a nível mundial, refletindo o aumento dos níveis de riqueza e, por conseguinte, o desejo de viver de forma mais saudável e enérgica com base no exercício e no bem-estar. As pessoas que vão aos ginásios querem ter acesso a conhecimentos especializados e a equipamentos de última geração, desenhados de acordo com as últimas descobertas sobre motricidade humana.

O crescente valor financeiro do nosso mercado atrai muita concorrência. Várias ‘startups’ recebem financiamento para encontrar formas de revolucionar o sector, desde aplicações e inteligência artificial a testes de ADN, passando também pelo chamados ‘ginásios de charme’. A concorrência no mercado da saúde e do bem-estar nunca foi tão feroz e variada.

Embora muitos consumidores procurem um estilo de vida saudável em mais do que um ginásio, é cada vez mais frequente o recurso a aplicações e aulas especializadas fora deste universo. Estamos a assistir à emergência de novos mercados, e alguns deles – como o mercado do ‘ginásio doméstico’ – estão a competir diretamente com os ginásios pela preferência dos consumidores.

Como podemos então assegurar a nossa quota de mercado e continuar a ocupar um lugar central no universo do Fitness?

Na minha opinião, é chegada a hora de mudar de paradigma, de abandonar o enfoque nas instalações propriamente ditas e passar a apostar em equipamento e conhecimento especializado. Se quisermos continuar a singrar, teremos de oferecer aos clientes não só o que eles precisam (e desejam) mas também o que não é possível encontrar em nenhum outro lugar.

Temos algumas cartas na manga, como a interação social que o espaço do ginásio oferece. No entanto, é importante reconhecer que há vários clientes que preferem fazer o seu exercício no conforto do lar. Por conseguinte, embora possa ser um aspecto importante do ponto de vista da lealdade do consumidor, a interação social não é uma solução de alcance universal. Temos de fazer mais.

Há também algumas tendências do sector que, caso não sejam implementadas de forma racional, poderão ser um obstáculo para o sucesso dos nossos ginásios. A transição para o virtual, por exemplo, pode ser – se bem implementada – um ativo muito importante para um ginásio. Mas se os instrutores do ginásio forem significativamente mais fracos do que os instrutores disponibilizados no sistema virtual, e se essa opção estiver disponível em casa, corre-se o risco de perder alguns clientes.

Similarmente, se nos limitarmos a equipar os nossos ginásios com equipamento funcional simples que possa ser diretamente adquirido para uso doméstico, os nossos clientes começarão a questionar as razões pelas quais pagam as suas mensalidades.

É evidente que o virtual e o funcional têm um papel importante a desempenhar nos ginásios atuais. No entanto, o desafio é integrá-los de forma eficaz, equilibrando a oferta para garantir que continuamos a ser apelativos.

Não podemos esquecer que a experiência dos nossos colaboradores é uma grande vantagem competitiva: se investirmos em profissionais competentes, incentivando-os a construir relações sólidas com os nossos clientes, esta aposta traduzir-se-á em sucesso e lealdade, colocando-nos numa posição privilegiada para fazer face à concorrência.

Se tivermos colaboradores experientes, motivadores e a trabalhar ao mais alto nível, os nossos clientes quererão pagar para ter acesso a estas mais-valias, entendendo-as como um complemento aos restantes elementos que compõem o seu bem-estar pessoal.

Ao longo dos 35 anos em que tenho escrito sobre esta indústria, afirmei várias vezes que os empresários do sector da Saúde e do Fitness devem olhar para os seus colaboradores como o ativo mais importante do seu negócio. No entanto, temos ainda muitas pessoas a receber o salário mínimo, sem perspetivas de carreira e sem apoios para desenvolver a confiança e as competências necessárias para interagir com os clientes e para lhes dar o aconselhamento que desejam.

As pessoas querem ter acesso a conhecimento especializado, mas nem sempre sabem onde encontrá-lo: querem saber como ficar em forma, como se reabilitar e treinar depois de uma lesão ou de uma cirurgia, ou apenas aprender a correr numa passadeira. E estão dispostas a pagar por isso.

Se não conseguirmos comunicar com os nossos clientes, estaremos a perder uma excelente oportunidade de nos colocarmos numa posição privilegiada para enfrentar a concorrência e os desafios que se avizinham. Chegou a hora de agir.

Fonte – www.healthclubmanagement.co.uk

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