“Se não abraçarem e otimizarem a tecnologia que está a transformar o mercado, os clubes de fitness tornar-se-ão inevitavelmente obsoletos”, afirmou Rasmus Ingerslev, conhecido empresário da indústria do fitness.
Com um historial invejável no universo do fitness – além de fundador da Fresh Fitness e da Wexer, e foi recentemente foi eleito o como novo Board Chairman da IHRSA -, Ingerslev defendeu numa sessão educativa sobre “Clubes à Prova de Futuro”, realizada a 21 de março no âmbito da IHRSA 2016 em Orlando, que o sector está a mudar a uma velocidade nunca vista. O empresário afirmou que os próximos 20 anos vão produzir mais avanços tecnológicos do que os últimos 100, acrescentando que estamos cercados de exemplos desta transformação.
Ingerslev referiu o sucesso de empresas como a Uber, a Airbnb e a ClassPass – que ombreiam com as maiores empresas dos seus mercados sem uma única loja física – como prova da transição do mundo físico para o mundo digital. A tecnologia, afirmou Ingerslev, está a transformar o comportamento dos clientes do sector. O primeiro contacto entre um health club e os seus potenciais clientes ocorre na internet e é por essa razão, defende, que a qualidade do conteúdo digital de um operador é fundamental. “Não se trata de saber ‘se’ mas de perceber ‘quando’ e ‘como’ estas mudanças se tornam significativas para o seu negócio”, acrescentou.
Falando da sua experiência pessoal, Ingerslev revelou que a tecnologia o ajudou a reduzir os prazos e custos do processo de venda do seu anterior clube de fitness. Paralelamente, a tecnologia RFID permitiu-lhe aumentar os gastos secundários em máquinas de venda automática e adquirir grandes volumes de dados do consumidor, além de facilitar o controlo de acessos e de libertar os funcionários para outras tarefas. Estes desenvolvimentos, acrescentou, permitiram à Fresh Fitness criar clubes sem dinheiro, tornando-os menos vulneráveis a roubos e libertando-os de processos bancários. Apesar destas vantagens, o empresário afirmou que as quatro paredes do ginásio estão sob o ataque de áreas como os ‘wearables’, o ‘tracking’, o ‘streaming’ a partir de casa e os programas de exercício online, suplantando a função do Treinador Pessoal. Segundo Ingerslev, estes desenvolvimentos estão relacionados com a moda do ‘quantified self’, segundo a qual os consumidores estão ansiosos por medir e analisar todos os aspetos das suas vidas. Um dos maiores benefícios da tecnologia para o sector do fitness é que vai “eliminar as conjecturas” na altura de traçar metas e planos de treino para responder a essa tendência do “quantified self”.
Ingerslev realçou que alguns operadores já oferecem testes de ADN aos seus membros para garantir que os seus programas personalizados estão em perfeita sintonia com as respetivas estruturas genéticas. Referindo-se, porventura, à sua empresa Wexer, Ingerslev sublinhou que o treino virtual pode ajudar os operadores a limitar os custos com pessoal, proporcionar uma oferta mais ampla, barata e duradoura, e também criar novas oportunidades para vender publicidade nos clubes. O empresário elogiou também a forma como os avanços da realidade virtual trouxeram vida às aulas de fitness, e defendeu que as empresas que comercializam exercícios de grupo (como Zumba e Les Mills) estão na vanguarda da criação de novos conceitos. “A realidade virtual é fascinante e só a nossa imaginação pode limitar as aplicações desta tecnologia à indústria do fitness”, acrescentou Ingerslev.
Para encerrar a sessão, Ingerslev afirmou que as empresas devem decidir “o tamanho ou o número de peças do puzzle tecnológico que pretendem ser'”, analisando se querem disponibilizar um produto exclusivo a um público limitado ou tornar a tecnologia mais acessível a um mercado maior. Ingerslev observou também que “existe tanta tecnologia hoje em dia” que os operadores devem estudar o mercado em busca de soluções prontas para usar, deixando de ser necessário investir grandes quantidades de tempo e capital para desenvolver produtos a partir do zero.
Fonte: http://www.healthclubmanagement.co.uk/