{"id":2638,"date":"2017-06-06T16:37:09","date_gmt":"2017-06-06T16:37:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.allunitedsports.com\/news\/?p=2638"},"modified":"2017-06-06T16:37:09","modified_gmt":"2017-06-06T16:37:09","slug":"uma-escola-mais-desportiva-e-um-desporto-mais-educativo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.allunitedsports.com\/news\/uma-escola-mais-desportiva-e-um-desporto-mais-educativo\/","title":{"rendered":"\u201cUma escola mais desportiva e um desporto mais educativo\u201d, ou a necessidade de uma abordagem sist\u00e9mica ao desporto infanto-juvenil portugu\u00eas, por Bruno Avelar Rosa"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><strong>Foram recentemente noticiados os resultados do relat\u00f3rio \u201cAdolescents obesity and related behaviour: trends and inequalities in the WHO European region, 2002-2014\u201d publicado pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) e que colocaram Portugal como o quinto pa\u00eds com mais jovens obesos entre os 27 analisados, demonstrando assim a exist\u00eancia de diferentes problem\u00e1ticas associadas ao sedentarismo, \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o e ao estilo de vida dos jovens portugueses.<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Relativamente aos h\u00e1bitos de atividade f\u00edsica, o <strong>Inqu\u00e9rito Alimentar Nacional e de Atividade F\u00edsica<\/strong>, publicado no passado m\u00eas de mar\u00e7o pela Dire\u00e7\u00e3o Geral de Sa\u00fade, revela que apenas 27% dos jovens cumprem, com elevada probabilidade, o n\u00edvel de atividade f\u00edsica considerado necess\u00e1rio para a idade em quest\u00e3o, enquanto 43% s\u00e3o sedent\u00e1rios, valores estes que decrescem com o avan\u00e7ar da idade dos cidad\u00e3os j\u00e1 que, de acordo com dados do Eurobar\u00f3metro (2014), 72% dos adultos portugueses nunca ou raramente pratica atividade f\u00edsica, colocando o pa\u00eds como o 3\u00ba mais inativo no espa\u00e7o europeu.<\/p>\n<p align=\"justify\">Estes s\u00e3o resultados alarmantes. O sedentarismo \u00e9 um dos principais fatores de risco para a sa\u00fade, tendo influ\u00eancia direta no aparecimento e desenvolvimento da obesidade, da depress\u00e3o, da ansiedade, das doen\u00e7as cardiovasculares, da diabetes e de outras doen\u00e7as n\u00e3o transmiss\u00edveis. A esta respeito, a <strong>OMS<\/strong> estimava, no seu <strong>relat\u00f3rio \u201cFactsheets on health-enhancing physical activity in the 28 European Union member states of the WHO European region\u201d<\/strong> publicado em 2015, que o custo anual com a sa\u00fade para uma popula\u00e7\u00e3o de 10 milh\u00f5es de habitantes rondar\u00e1 os cerca de 910 milh\u00f5es de euros, valor este que ser\u00e1 equivalente a cerca de 9% do or\u00e7amento portugu\u00eas para a sa\u00fade em 2017.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por outro lado, s\u00e3o tamb\u00e9m v\u00e1rias os <strong>documentos institucionais e cient\u00edficos que reconhecem a atividade f\u00edsica e desportiva como um importante fator de desenvolvimento dos mais diversos valores e compet\u00eancias pessoais e sociais<\/strong>, assim como o seu potencial para a inclus\u00e3o, igualdade e coes\u00e3o social. Estes valores e compet\u00eancias desenvolvidos atrav\u00e9s da pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica e desportiva regular s\u00e3o tamb\u00e9m coerentes com as indica\u00e7\u00f5es relativamente aos skills exigidos ao trabalhador do s\u00e9culo XXI, tal como demonstram o Guia do Mercado Laboral 2017, publicado pela Consultadora de Recursos Humanos Hays, ou o relat\u00f3rio \u201cThe future of jobs \u2013 Employment, skills and workforce strategy for the 4th industrial revolution\u201d publicado pelo World Economic Forum (2016), ao assinalarem a valoriza\u00e7\u00e3o por parte das empresas e empregadores de caracter\u00edsticas\u00a0 como a proatividade, a capacidade de trabalhar em equipa, a capacidade de trabalho ou os valores associados \u00e0 cultura do grupo. <strong>O desporto revela assim o seu potencial enquanto importante escola de vida.<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/www.allunitedsports.com\/news\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/image4148.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-2660\" alt=\"image4148\" src=\"http:\/\/www.allunitedsports.com\/news\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/image4148.png\" width=\"452\" height=\"236\" srcset=\"https:\/\/www.allunitedsports.com\/news\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/image4148.png 1200w, https:\/\/www.allunitedsports.com\/news\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/image4148-300x157.png 300w, https:\/\/www.allunitedsports.com\/news\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/image4148-1024x535.png 1024w, https:\/\/www.allunitedsports.com\/news\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/image4148-1080x565.png 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 452px) 100vw, 452px\" \/><\/a>No seguimento do exposto, e independentemente do prisma por onde se observe, o sedentarismo revela-se um flagelo. <strong>A inatividade f\u00edsica tem um impacto decisivo na longevidade e qualidade de vida dos cidad\u00e3os<\/strong>, priva-os tamb\u00e9m do desenvolvimento de compet\u00eancias pessoais e sociais associadas ao empreendedorismo e bem-estar, al\u00e9m de, numa perspetiva economicista do Estado, representar ainda um custo tremendo para o er\u00e1rio p\u00fablico.<\/p>\n<p align=\"justify\">Esta \u00e9 uma <strong>problem\u00e1tica multidimensional que exige uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica concertada e multifocal, com o objetivo de promover a mudan\u00e7a comportamental dos cidad\u00e3os<\/strong>, mas tamb\u00e9m que agilize e facilite o acesso \u00e0 pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica e desportiva nos seus diferentes n\u00edveis de institucionaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Uma das \u00e1reas a considerar ser\u00e1 necessariamente o urbanismo e a promo\u00e7\u00e3o da utiliza\u00e7\u00e3o de meios de locomo\u00e7\u00e3o ativos estimulando assim as condi\u00e7\u00f5es para que se desenvolva atividade f\u00edsica de car\u00e1cter espont\u00e2neo e n\u00e3o regulamentada. Tamb\u00e9m nesta \u00e1rea, Portugal est\u00e1 atrasado relativamente a outros pa\u00edses e outras grandes cidades da Europa. Conceitos como o shared space, o super footing ou o healthy urban planning apenas na \u00faltima d\u00e9cada come\u00e7aram a ser estudados e aplicados com maior frequ\u00eancia, enquanto os princ\u00edpios inerentes \u00e0 l\u00f3gica organizacional e intencional das cidades educadoras, das cidades saud\u00e1veis ou, mais recentemente, das smart cities, enquanto promotores de uma conviv\u00eancia ativa e sustent\u00e1vel, teimam em ser assumidos pelo poder local.<\/p>\n<p align=\"justify\">Contudo, <strong>entre as diferentes \u00e1reas de interven\u00e7\u00e3o com vista \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da atividade f\u00edsica e desportiva e consequentes resultados que tal a\u00e7\u00e3o acarreta, o desporto infanto-juvenil organizado merece, do nosso ponto de vista, uma particular aten\u00e7\u00e3o, pelo impacto que poder\u00e1 ter na cria\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos de vida saud\u00e1vel<\/strong>.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em Portugal, <strong>na faixa et\u00e1ria associada \u00e0 escolaridade obrigat\u00f3ria (6-18 anos) existem dois sistemas de promo\u00e7\u00e3o da atividade f\u00edsica e desportiva: (1) o sistema educativo<\/strong>, onde se incluem a Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica curricular (pese embora a sua fragilidade no 1\u00ba Ciclo do Ensino B\u00e1sico) e as\u00a0 atividades extra-escolares facultativas, como s\u00e3o as atividades de enriquecimento curricular no 1\u00ba Ciclo do Ensino B\u00e1sico e o desporto escolar nos restantes ciclos de escolaridade (apesar de ter existido entre 2013\/2014 e 2015\/2016 um projeto-piloto de implementa\u00e7\u00e3o do desporto escolar no 1\u00ba Ciclo que, aparentemente, n\u00e3o ter\u00e1 continuidade); <strong>e (2) o sistema desportivo<\/strong>, que integra a atividade federada desenvolvida a partir do associativismo. \u00c9 ainda poss\u00edvel considerar um terceiro \u00e2mbito ligado \u00e0 pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica nas academias e gin\u00e1sios, o qual representa atualmente um contexto bastante atrativo para os jovens e uma das mais fortes possibilidades para a continuidade na pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica ap\u00f3s o per\u00edodo de escolariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">A responsabilidade na oferta e condu\u00e7\u00e3o das atividades \u00e9 dos professores de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica no caso do desporto escolar, enquanto no desporto federado \u00e9 da responsabilidade dos treinadores das diferentes modalidades afetas \u00e0s federa\u00e7\u00f5es desportivas, atualmente formados no \u00e2mbito do Programa Nacional de Forma\u00e7\u00e3o de Treinadores, o qual prev\u00ea diferentes vias de acesso \u00e0 certifica\u00e7\u00e3o, entre as quais a licenciatura. Por seu turno, no \u00e2mbito das academias e gin\u00e1sios, a responsabilidade na condu\u00e7\u00e3o das atividades \u00e9 dos t\u00e9cnicos de exerc\u00edcio f\u00edsico, cuja forma\u00e7\u00e3o exigida para o seu desempenho \u00e9, no m\u00ednimo, a posse de um curso de especializa\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica (n\u00edvel 5 do marco europeu de qualifica\u00e7\u00f5es) com a mesma designa\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo profissional.<\/p>\n<p align=\"justify\">Relativamente \u00e0 oferta efetuada, \u00e9 de assinalar que <strong>no \u00e2mbito do desporto escolar s\u00e3o desenvolvidas atividades de tr\u00eas tipos: n\u00edvel I (conjunto de atividades de promo\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o desportiva), n\u00edvel II (treino desportivo regular de grupos-equipa) e n\u00edvel III (aprofundamento do treino desportivo e constitui\u00e7\u00e3o dos n\u00facleos escolares federados)<\/strong>, aparecendo associados a este \u00faltimo os centros de forma\u00e7\u00e3o desportiva, os quais se constituem como polos de desenvolvimento desportivo, dinamizados pela escola em colabora\u00e7\u00e3o com outros parceiros locais na \u00e1rea de especialidade.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>De acordo com os relat\u00f3rios publicados pelo Gabinete Coordenador do Desporto Escolar, \u00e9 poss\u00edvel constatar a seguinte participa\u00e7\u00e3o nos diferentes n\u00edveis de atividade do desporto escolar:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">Nas atividades de n\u00edvel I, uma vez que se trata de uma componente n\u00e3o letiva, e normalmente tamb\u00e9m pontual, n\u00e3o existem dados quanto \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dos alunos, sendo, contudo, poss\u00edvel, observar a participa\u00e7\u00e3o e n\u00famero m\u00e9dio de alunos a participar em quatro projetos desenvolvidos neste contexto nos \u00faltimos 3 anos: Corta-Mato escolar (245.500 participantes), Mega-sprinter (150.000 participantes), Basquetebol 3&#215;3 (15.800 participantes) e Ta\u00e7a CNID (14.085 participantes) com um total de 290.385 participantes. A estes quatro projetos, que s\u00e3o realizados em parceria com as entidades respons\u00e1veis pelas modalidades em quest\u00e3o, cabe ainda acrescentar os recentes projetos Judo at School, Tag Rugby, Ciclismo para todos, Ol\u00edmpico Jovem e Futebol feminino.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Nas atividades de n\u00edvel II, as quais implicam a atribui\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos hor\u00e1rios aos professores que assumem a sua responsabilidade nos 2\u00ba e 3\u00ba Ciclo do Ensino B\u00e1sico e Secund\u00e1rio, \u00e9 poss\u00edvel observar (n\u00e3o considerando as atividades de enriquecimento curricular por inexist\u00eancia de dados e por diferente enquadramento legal) a participa\u00e7\u00e3o de 181.569 alunos (num universo total de 959.962 alunos), o que representa um aumento de 14,4% de participantes relativamente a 2009\/2010 (ano em o universo total de alunos era 20% superior).<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">J\u00e1 nas atividades de n\u00edvel III, \u00e9 poss\u00edvel registar um aumento dos Centros de Forma\u00e7\u00e3o Desportiva que passou da exist\u00eancia de 13 centros em 2013\/2014 para 53 centros em 2016\/2017. Nestes Centros, participaram em 2015\/2016, 76.763 alunos nas atividades pontuais desenvolvidas e 2.295 alunos nas atividades de treino desportivo regular.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\"><strong>No \u00e2mbito do desporto federado, e de acordo com dados fornecidos pelo PORdata, podemos observar que at\u00e9 ao escal\u00e3o de j\u00fanior, existiam em 2015, 334.402 praticantes desportivos, representando este valor um aumento de quase 50% relativamente ao n\u00famero de federados nestas faixas et\u00e1rias em 2003 (185.302 praticantes).<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Da compara\u00e7\u00e3o dos dados de participa\u00e7\u00e3o no desporto escolar e no desporto federado, e n\u00e3o considerando a pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica no \u00e2mbito das academias e gin\u00e1sios por falta de dados associados, podemos constatar que cerca de 500.000 jovens ter\u00e3o participado em atividade desportiva regular (em clubes desportivos ou em grupos-equipas do desporto escolar) e cerca de 350.000 em atividades pontuais. Naturalmente, estes valores carecem de valida\u00e7\u00e3o estat\u00edstica, uma vez que poder\u00e1 haver sobreposi\u00e7\u00e3o de sujeitos na amostra considerada. Contudo, se tomarmos por refer\u00eancia os dados apresentados nos \u00faltimos Censos (2011), \u00e9 poss\u00edvel estimar que, pese embora o aumento do n\u00famero de participantes nos \u00faltimos anos, <strong>dos cerca de 2 milh\u00f5es de portugueses com menos de 18 anos, apenas cerca de 25\/30% estar\u00e3o \u00a0vinculados a algum dos sistemas que permite a realiza\u00e7\u00e3o de pr\u00e1tica desportiva regular<\/strong>, o que \u00e9 um valor manifestamente baixo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Tamb\u00e9m <strong>com base nestes resultados, fica demonstrada a necessidade de intervir com vista \u00e0 melhoria dos processos associados \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica e desportiva, neste caso, de \u00e2mbito institucionalizado<\/strong>. Sob este modelo organizacional do ensino e pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica e desportiva infanto-juvenil, constru\u00eddo ap\u00f3s o 25 de abril e vigente desde meados dos anos 80, se atingiram os resultados assinalados no in\u00edcio deste texto e relativamente aos quais, nenhum decisor se pode dar por satisfeito. Bem pelo contr\u00e1rio. <strong>Revela-se assim necess\u00e1rio refletir e repensar a forma como se oferece atividade f\u00edsica e desportiva aos jovens e, particularmente, o papel da escola nesta mesma oferta<\/strong>, na medida em que \u00e9 nesta que os jovens passam a maior parte do seu tempo e que, por esse facto, dever\u00e1 ser tamb\u00e9m o destino principal das mais diversas pol\u00edticas dirigidas \u00e0 juventude.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>A exist\u00eancia de dois sistemas (desportivo e educativo), enquanto estruturas organizativas do desporto infanto-juvenil, tem polarizado a oferta numa l\u00f3gica de \u201cdesporto e atividade f\u00edsica dentro da escola\u201d (Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica e desporto escolar\/atividades de enriquecimento curricular) em rela\u00e7\u00e3o (e atrito) com o \u201cdesporto e atividade f\u00edsica fora da escola\u201d (associativismo e academias). Esta perspetiva tem colocado a instala\u00e7\u00e3o escolar como um espa\u00e7o tendencialmente herm\u00e9tico que atua como barreira ao acesso dos jovens \u00e0 pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica e desportiva ao inv\u00e9s de promove-la no seu sentido mais lato e independentemente dos contextos institucionais de origem.<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Para os devidos efeitos, recorremos ao exemplo da Catalunha como demonstrativo de uma op\u00e7\u00e3o diferente no que \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o do desporto infanto-juvenil diz respeito.<\/strong> Tendo sido diagnosticados os mesmos problemas que hoje discutimos em Portugal, al\u00e9m da dif\u00edcil rela\u00e7\u00e3o entre desporto escolar e desporto federado, foi organizado em 1998 o Congresso de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica e Desporto em Idade Escolar na Cidade de Barcelona com o objetivo de juntar pol\u00edticos, t\u00e9cnicos e acad\u00e9micos para a discuss\u00e3o e defini\u00e7\u00e3o de um novo modelo de interven\u00e7\u00e3o desportiva nesta faixa et\u00e1ria. Como resultado, foi publicado um documento com a mesma designa\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo deste texto (\u201cuma escola mais desportiva e um desporto mais educativo\u201d) e que serviu de ponto de partida para a constru\u00e7\u00e3o do modelo atualmente vigente na regi\u00e3o. A perspetiva defendida assenta na considera\u00e7\u00e3o da escola como um espa\u00e7o comunit\u00e1rio, polarizando a organiza\u00e7\u00e3o das atividades entre aquelas que se desenvolvem \u201cdentro do hor\u00e1rio letivo\u201d (curriculares) e \u201cfora do hor\u00e1rio letivo\u201d (extra-curriculares), sendo estas \u00faltimas dinamizadas no espa\u00e7o escolar e sob sua supervis\u00e3o pedag\u00f3gica, mas levadas a cabo atrav\u00e9s das entidades locais.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>No ano letivo de 2005\/2006 teve in\u00edcio o Plano Catal\u00e3o de Desporto na Escola<\/strong>, o qual, em primeira inst\u00e2ncia, promove a cria\u00e7\u00e3o de Associa\u00e7\u00f5es Desportivas Escolares que integram no seu seio representantes da Escola, dos pais e da comunidade, sendo coordenados pelo grupo de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica. A responsabilidade destas Associa\u00e7\u00f5es \u00e9 a de organizar e promover as atividades desportivas em hor\u00e1rio extra-escolar, fomentando a introdu\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es e clubes de proximidade no espa\u00e7o escolar em hor\u00e1rio p\u00f3s-letivo e garantindo, simultaneamente, a sua continuidade no tempo atrav\u00e9s da introdu\u00e7\u00e3o destas atividades no Projeto Educativo de Escola. Esta perspetiva permite assim a gest\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o desportiva dos alunos atrav\u00e9s da sua vincula\u00e7\u00e3o \u00e0s entidades locais em ambiente escolar. Por outro lado, estas associa\u00e7\u00f5es s\u00e3o tamb\u00e9m respons\u00e1veis pelo enquadramento dos alunos nas mesmas atividades, sempre que ocorre mudan\u00e7a de estabelecimento escolar ou de ciclo de escolaridade.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Desde o ano da implementa\u00e7\u00e3o deste Plano na Catalunha, o n\u00famero de Associa\u00e7\u00f5es Desportivas Escolares aumentou de 133 (2005\/2006) para 1027 (2015\/2016), implicando um n\u00famero de praticantes de desporto em idade de 13.000 (2005\/2006) para 323.478 (2015\/2016).<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">No caso particular da cidade de Barcelona, cuja coroa urbana integra cerca de metade da popula\u00e7\u00e3o da Catalunha, o impacto desta forma de organiza\u00e7\u00e3o do desporto infanto-juvenil \u00e9 claro: de acordo com o Estudo dos H\u00e1bitos Desportivos dos Jovens em Idade Escolar da Cidade de Barcelona (entre os 6 e os 18 anos) realizado em 1998, 2007 e 2013 pelo Ajuntament de Barcelona, os n\u00edveis de participa\u00e7\u00e3o desportiva passaram dos 50,5% nos rapazes e 32,1% nas raparigas em 1998 para 82,5% nos rapazes e 69,2% nas raparigas em 2013. Valores estes que n\u00e3o t\u00eam termo de compara\u00e7\u00e3o com a realidade portuguesa.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Face ao exposto, cabe-nos tecer as seguintes possibilidades de a\u00e7\u00e3o com vista \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica da atividade f\u00edsica e desportiva organizada no contexto infanto-juvenil, considerando como premissa b\u00e1sica para tal a necessidade de descentraliza\u00e7\u00e3o das estruturas com vista \u00e0 dota\u00e7\u00e3o de uma resposta que v\u00e1 ao encontro das necessidades e motiva\u00e7\u00f5es dos jovens:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">Alargamento da l\u00f3gica organizacional inerente aos centros de forma\u00e7\u00e3o desportiva. O seu crescimento \u00e9 indicativo do sucesso da rela\u00e7\u00e3o da escola com o meio envolvente, demonstrando assim a possibilidade de desenvolvimento do associativismo local com supervis\u00e3o pedag\u00f3gica da estrutura escolar.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Realiza\u00e7\u00e3o de projetos de desporto escolar nas Escolas e Agrupamentos a longo prazo e de forma articulada com as modalidades oferecidas na proximidade geogr\u00e1fica (decidindo, em fun\u00e7\u00e3o dos objetivos, a replica\u00e7\u00e3o da oferta com vista ao fornecimento de praticantes aos clubes com vista ao prosseguimento da atividade em \u00e2mbito competitivo ou n\u00e3o, ou a oferta diversificada com vista \u00e0 promo\u00e7\u00e3o de novas experi\u00eancias). Esta realidade permitir\u00e1 garantir a continuidade das atividades ao longo dos anos letivos, independentemente do professor que est\u00e1 colocado numa determinada escola e num determinado ano. Trata-se, portanto, de definir pr\u00e1ticas desportivas de refer\u00eancia nas diferentes escolas e localidades.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Refor\u00e7o da participa\u00e7\u00e3o do associativismo e das academias e gin\u00e1sios, que cumprem os necess\u00e1rios requisitos de qualidade, no espa\u00e7o escolar, atrav\u00e9s da utiliza\u00e7\u00e3o das instala\u00e7\u00f5es desportivas escolares. Muitas destas instala\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o p\u00fablicas, n\u00e3o s\u00e3o utilizadas fora do hor\u00e1rio letivo, pelo que caber\u00e1 \u00e0 Escola a sua dinamiza\u00e7\u00e3o promovendo a oferta desportiva realizada na proximidade geogr\u00e1fica diretamente aos seus alunos no espa\u00e7o escolar, n\u00e3o atrav\u00e9s do aluguer do espa\u00e7o, mas sim da inclus\u00e3o destas organiza\u00e7\u00f5es e suas atividades no Projeto Educativo de Escola. Esta \u00e9, inclusivamente, uma perspetiva que integra possibilidades laborais, uma vez que s\u00e3o cada vez menos os licenciados a ingressar nos quadros docentes (de acordo com dados publicados em 2016 pelo Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o no seu relat\u00f3rio t\u00e9cnico \u201cA condi\u00e7\u00e3o docente em Portugal: contributos para uma reflex\u00e3o\u201d, os professores com menos de 30 anos de idade rondam os 2% do total e os com mais de 50 anos rondam os 40% do total, diferen\u00e7a entre estes grupos que foi exponenciada nos \u00faltimos dez anos e que indica futuras dificuldades na manuten\u00e7\u00e3o do atual modelo de responsabilidade interna pelas atividades do desporto escolar) e cada vez mais aqueles que exercem a sua atividade nos clubes, gin\u00e1sios e academias e que poder\u00e3o, assim, aumentar o seu raio de a\u00e7\u00e3o, garantindo, simultaneamente, qualidade pedag\u00f3gica na condu\u00e7\u00e3o das atividades.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">No seguimento do ponto anterior, cria\u00e7\u00e3o do Concelho Desportivo de Escola, integrando os representantes dos pais, da Dire\u00e7\u00e3o, do Conselho Pedag\u00f3gico, do grupo de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica e das entidades com responsabilidade na realiza\u00e7\u00e3o de atividades no espa\u00e7o escolar. A este respeito, veja-se \u201cEl centro escolar promotor de la actividad f\u00edsica y deportiva \u2013 Orientaciones para la elabora\u00e7\u00e3o del proyecto deportivo de centro\u201d, publicado pelo Consejo Superior de Desportes (2012) em Espanha.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Ao n\u00edvel aut\u00e1rquico, cria\u00e7\u00e3o do Conselho Desportivo Municipal, que dever\u00e1 integrar as diferentes Escolas e organiza\u00e7\u00f5es desportivas do Concelho, e com responsabilidade no desenvolvimento do Projeto Desportivo Municipal, o qual dever\u00e1 ter por objetivo a media\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre a Escola e as entidades externas que promover\u00e3o atividade neste \u00e2mbito, bem como no fornecimento das instala\u00e7\u00f5es desportivas municipais com vista \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de atividade f\u00edsica e desportiva dirigida aos alunos daquelas escolas\u00a0que n\u00e3o possuam instala\u00e7\u00f5es desportivas pr\u00f3prias. Neste seguimento, os Programas de Apoio ao Associativismo dever\u00e3o ter como crit\u00e9rio essencial o n\u00famero de praticantes jovens e a implementa\u00e7\u00e3o de projetos desportivos junto das escolas por parte das entidades locais.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Acompanhamento do percurso desportivo de cada jovem individualmente por parte dos Conselhos Desportivos Municipais e Escolares, procurando garantir a sua continuidade de pr\u00e1tica nos momentos considerados chave para o seu abandono (mudan\u00e7a de ciclo escolar ou mudan\u00e7a de resid\u00eancia). Neste sentido, \u00e9 evidente a necessidade de articula\u00e7\u00e3o entre as estruturas locais respons\u00e1veis pelo desporto infanto-juvenil (Escola, autarquia e organiza\u00e7\u00f5es externas) e, por exemplo, o desporto universit\u00e1rio.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Articula\u00e7\u00e3o entre as competi\u00e7\u00f5es escolar, federada e universit\u00e1ria de forma a que n\u00e3o se reproduzam os sistemas competitivos, muitas das vezes com os mesmos praticantes. Esta articula\u00e7\u00e3o passa tamb\u00e9m pela homogeneiza\u00e7\u00e3o de categorias entre os diferentes sub-sistemas competitivos.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Cria\u00e7\u00e3o de um cart\u00e3o \u00fanico de praticante de atividade f\u00edsica e desportiva (independentemente da modalidade ou contexto), que possa oferecer aos seus portadores benef\u00edcios diversos, na l\u00f3gica do que \u00e9 realizado com o cart\u00e3o jovem.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\"><strong>A maior parte destas propostas n\u00e3o s\u00e3o pioneiras. Efetivamente, \u00e9 poss\u00edvel encontrar casos de sucesso em Portugal para cada uma destas orienta\u00e7\u00f5es.<\/strong> <strong>Contudo, estas resumem-se a situa\u00e7\u00f5es a avulso que resultam da compet\u00eancia e boa vontade dos envolvidos e n\u00e3o da ado\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica sistematizada de rela\u00e7\u00e3o entre a Escola e as organiza\u00e7\u00f5es que promovem o desporto e a atividade f\u00edsica fora do contexto escolar.<\/strong> Desta forma, ao inv\u00e9s de estas aguardarem pelo aparecimento de novos praticantes nos seus locais de pr\u00e1tica, passam a dirigir-se ao espa\u00e7o onde estes se encontram de forma institucionalmente enquadrada e pedagogicamente orientada.<\/p>\n<p align=\"justify\">Como referido anteriormente, o atual modelo portugu\u00eas de promo\u00e7\u00e3o do desporto infanto-juvenil tem tido por resultados aqueles que tamb\u00e9m foram assinalados neste texto.<strong> No \u00faltimo ano, devido ao motivo do feliz refor\u00e7o da import\u00e2ncia da Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica pelo atual elenco governativo, t\u00eam sido v\u00e1rios os espa\u00e7os e momentos de discuss\u00e3o relativamente \u00e0 realidade do desporto e da atividade f\u00edsica nos jovens. Por\u00e9m, devemos ter claro que fazendo as mesmas coisas, da mesma maneira, obteremos certamente os mesmos resultados. \u00c9, por isso, fundamental desenvolver, com esp\u00edrito transformador, uma discuss\u00e3o s\u00e9ria, alargada e proativa relativamente \u00e0s mudan\u00e7as que, al\u00e9m de necess\u00e1rias s\u00e3o tamb\u00e9m evidentes. <\/strong>N\u00e3o acreditamos que exista um desporto bom que promova valores (o \u201cescolar\u201d) e um desporto mau que apenas especialize precocemente (o \u201cfederado\u201d). Independentemente do contexto, <strong>o desporto \u00e9 uma matriz dos mais diversos valores e estimulante dos mais diferentes impactos positivos<\/strong>. <strong>Por essa raz\u00e3o, mais do que a defesa de um ou outro sistema (desportivo ou educativo) devemos ser capazes de defender o direito e a necessidade da pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica e desportiva nos nossos jovens e trabalhar no sentido de garanti-la<\/strong>. N\u00e3o faze-lo com esse objetivo \u00e9, parafraseando a alegoria de Plat\u00e3o, n\u00e3o querer sair da caverna onde as sombras parecem ser a realidade, mas n\u00e3o o s\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n\r\n\t\t<div class='author-shortcodes'>\r\n\t\t\t<div class='author-inner'>\r\n\t\t\t\t<div class='author-image'>\r\n\t\t\t<img src='\/home\/aus\/public_html\/wp-content\/uploads\/et_temp\/IMG_5371-34583_60x60.jpg' alt='' \/>\r\n\t\t\t<div class='author-overlay'><\/div>\r\n\t\t<\/div> <!-- .author-image --> \r\n\t\t<div class='author-info'>\r\n\t\t\t\u00a0<strong>Bruno Avelar Rosa<\/strong>\u00a0\u00e9 Coordenador do Gabinete de Educa\u00e7\u00e3o e Forma\u00e7\u00e3o do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol e Professor na Universidade Europeia. Entre outros, j\u00e1 desempenhou cargos na Dire\u00e7\u00e3o de Promo\u00e7\u00e3o Desportiva do Instituto Municipal de Desporto da C\u00e2mara Municipal de Barcelona (Catalunha, Espanha) e na Divis\u00e3o de Forma\u00e7\u00e3o do Instituto de Desporto de Portugal, I.P. (atual IPDJ)..\r\n\t\t<\/div> <!-- .author-info -->\r\n\t\t\t<\/div> <!-- .author-inner -->\r\n\t\t<\/div> <!-- .author-shortcodes -->\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foram recentemente noticiados os resultados do relat\u00f3rio \u201cAdolescents obesity and related behaviour: trends and inequalities in the WHO European region, 2002-2014\u201d publicado pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) e que colocaram Portugal como o quinto pa\u00eds com mais jovens obesos entre os 27 analisados, demonstrando assim a exist\u00eancia de diferentes problem\u00e1ticas associadas ao sedentarismo, \u00e0 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[507,1,18],"tags":[739,138,735,736,738,737,743,740,741,744,742,746,745],"class_list":["post-2638","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-bruno-avelar-rosa","category-novidades","category-opiniao","tag-atividade-fisica-e-desportiva","tag-desporto","tag-desporto-escolar","tag-desporto-federado","tag-desporto-mais-educativo","tag-escola-mais-desportiva","tag-longevidade","tag-oms","tag-organizacao-mundial-de-saude","tag-qualidade-de-vida","tag-sedentarismo","tag-sistema-desportivo","tag-sistema-educativo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.allunitedsports.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2638","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.allunitedsports.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.allunitedsports.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.allunitedsports.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.allunitedsports.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2638"}],"version-history":[{"count":22,"href":"https:\/\/www.allunitedsports.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2638\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2848,"href":"https:\/\/www.allunitedsports.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2638\/revisions\/2848"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.allunitedsports.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2638"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.allunitedsports.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2638"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.allunitedsports.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2638"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}