O treino virtual irá substituir as infraestruturas de fitness?

Uber, Airbnb, Amazon, Netflix… Ao longo dos últimos anos, as empresas de tecnologia mudaram a forma de ver as coisas, fazendo com que os concorrentes da “velha escola” conseguissem manter-se relevantes e prosperar, ou conceder derrotas e fechar a loja. À medida que a internet oferece aos clientes acesso a um treino “pessoal”, muitas vezes mediante um custo mais baixo do que teriam para trabalhar pessoalmente com um profissional qualificado, o setor do fitness não é imune a este choque.

virtual_fitnessEnquanto o espaço online é uma bênção para os formadores que procuram estender o seu alcance e oferecer serviços com despesas mínimas – um pouco de conhecimento tecnológico e acesso à internet podem ser tudo o que é necessário – as instalações de fitness e o staff de treino pessoal podem sentir o golpe. Os proprietários e gestores de ginásios observaram um aumento nos membros que trabalham com o auxílio de tablets em vez de treinadores, levantando preocupações com segurança, controlo de qualidade e finanças.

Neste artigo, os especialistas em espaços físicos e no mundo virtual partilham as suas experiências e opiniões sobre essa tendência emergente.

Segurança e Garantia de Qualidade

- Peg Hamlett, PhD, diretora de fitness e bem-estar da Universidade de Idaho, testemunhou praticantes de treino virtual a praticar no chão da academia.

“É óbvio quando alguém está a usar o Skype, FaceTime ou outra ferramenta de conferência através da internet”, diz ela. “O tablet ou o telefone estão configurados para que o utilizador possa ver e ser visto, e a interação é diferente de uma chamada telefónica ou a que acontece quando alguém está simplesmente a ver ou a ler algo”.

Ela diz que esse tipo de treino é muitas vezes perturbador para os outros – especialmente se for realizado ao vivo – porque esses praticantes tendem a falar alto para que o treinador online possa ouvi-los. Embora isso seja um incómodo, não é a sua principal preocupação.

“A nossa maior preocupação é a segurança”, diz Hamlett. Nós não conhecemos as qualificações dos treinadores nem sabemos se o treino é apropriado ao historial de saúde (dos membros) ou aptidão física atual.

Toda a equipa de treino de Hamlett tem que possuir certificações atualizadas e participar regularmente em oportunidades de formação continuada para manter o mais alto nível de habilitações e conhecimento. De certa forma, ela sente que o uso de treinadores virtuais dilui a qualidade do serviço que ela pretende manter dentro das suas instalações.

- Albert Isordia, proprietário da empresa “caseira” de treino Cyber Gym, concorda que há preocupações de segurança, mas acredita que não é apenas o treino on-line que é culpado.

“Por cada pessoa que tenta seguir um treino HIIT num iPad, há pelo menos mais de cem a tentar decifrar um artigo sobre nádegas e barriga na Women’s Health ou outra revista”, diz o treinador, situado em San Carlos, Califórnia. “Vejo pessoas no ginásio a tentar reproduzir as rotinas de fitness que veem no YouTube, nalgum canal de CrossFit®”.

Mas um risco não deixa de ser um risco, e as preocupações de Hamlett com a segurança dos seus membros são válidas. Muitos instrutores altamente qualificados têm sucesso a trabalhar com clientes à distância, mas muitos outros tentam fazê-lo tendo pouca formação e experiência. Hamlett e Isordia, tal como os outros especialistas entrevistados para este artigo, concordam que o treino online continuará a difundir-se pelo setor. Portanto, a questão mantém-se: Pode ser feita alguma coisa para melhorar os níveis de segurança dos indivíduos que optam por tirar partido da formação virtual?

- Justin Powell, gestor de fitness e treinador pessoal no La Jolla Sports Club, em La Jolla, Califórnia, sugere que a gestão deve reforçar o processo de orientação para ajudar os novos membros a entender melhor os riscos envolvidos no treino online.

“Para mim, não há nada que possamos fazer atualmente para ajudar a oferecer controlo de qualidade para os nossos membros para além de disponibilizar-lhes informações no sentido de poderem distinguir entre aquilo que é bom ou mau”, afirmou.

- “Certifica-te de que eles recebem uma avaliação física e uma sessão de treino completas quando se tornam membros”, diz Nicco Zenere, treinador pessoal e dono da empresa de treino online e móvel BRAVE Lifestyle.

Zenere, que costumava trabalhar no centro de fitness The Biggest Loser Resort, em Chicago, acredita que isto oferece às instalações de fitness e aos treinadores pessoais uma grande oportunidade para ajudar os membros a perceber os variados benefícios da orientação pessoal.

Finanças

Trabalhar com um treinador online geralmente custa menos do que trabalhar com um treinador pessoalmente, o que pode tornar a via online muito mais atrativa para os clientes mais preocupados com o seu orçamento. Mas existe uma desvantagem face à capacidade de um ginásio oferecer serviços e equipamentos de alto nível.

“Fazemos questão de pagar um salário competitivo aos nossos treinadores”, diz Hamlett. Nós também inspecionamos diariamente o nosso equipamento, e substituímo-lo ou reparamo-lo continuamente para proporcionarmos uma instalação segura, limpa e atualizada, o que custa dinheiro. Quando os participantes trazem outros treinadores, ficamos a perder e temos de descobrir outras formas de manter o elevado nível das nossas instalações.

A maioria das instalações de fitness proíbe os treinadores externos de trabalhar com clientes, ou exigem o pagamento de uma taxa de utilização do espaço. Hamlett questiona se não poderá ser possível ter uma abordagem semelhante relativamente aos treinos online.

Fonte - www.ideafit.com

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